A História do Esporte Clube Itaúna
Ascendência, declínio e revitalização de uma agremiação histórica.
Por Pepe Chaves*
Versão para o site oficial do ECI
Itaúna Foot-Ball Club
O Esporte Clube Itaúna, a agremiação mais tradicional do esporte itaunense, teve como embrião um pequeno time de futebol criado em 1914 que, por sinal, foi o primeiro na história do município. Era o Itaúna Foot-Ball Club, presidido por Josaphat Santiago, e tendo na diretoria os senhores Sólon Mello, José Santiago e Abelardo Lima, jovens entusiastas do esporte, ligados ao Clube Literário local.

Fotografia rara do primeiro time de futebol de Itaúna: embrião do ECI.
O clube esportivo contava também com a colaboração de Mário Lima, Dr. Juju, Candico, Oscar Gonçalves, entre outros jogadores. Sob o comando técnico de Abelardo Lima, eles treinavam e jogavam num campinho de gramado ralo e irregular, situado no retiro São João - local onde, anos depois, seria construído o Estádio "José Flávio de Carvalho".
Cerca de 15 anos se passaram para que o clube viesse a receber a nomenclatura de Esporte Clube Itaúna (ECI). Sua fundação ocorreu no dia 29 de junho de 1929, através de uma sociedade composta de número ilimitado de sócios, sem distinção de nacionalidade, culto ou sexo. A maior finalidade do clube, era proporcionar socialmente a difusão do civismo e da cultura física, sobretudo, o futebol O ECI poderia ainda praticar e competir em outras modalidades esportivas amadoras especializadas e realizar promoções de caráter social e cultural.
Nessa fase, o Esporte Clube Itaúna teve como um de seus primeiros presidentes e ilustre colaborador social, benemérito senhor José Bustamante.
Em fins da década de 30 foi realizado o primeiro jogo com o time profissional. A partida se deu contra o América Futebol Clube de Belo Horizonte, que foi vencido por 2x1. Com o passar do tempo o clube itaunense sentia a necessidade de possuir um estádio maior. E graças ao auxílio do Sr. Lincoln Nogueira Machado e do Sr. José Flávio de Carvalho fizeram do pequeno campinho o Estádio “José Flávio de Carvalho”, que passou a ser utilizado pelo Esporte Clube Itaúna.
A partir de então o Esporte Clube Itaúna iniciou sua participação em campeonatos diversos, passando a necessitar do apoio de empresas da região para custear suas viagens e demais despesas geradas pelas competições estaduais. O apoio, era recebido de itaunenses ilustres, gente do comércio e indústria da época. Apoio este, era vindo das mais variadas formas, seja em permuta por algum bem material necessário, seja financeiro, para o custeio de materiais esportivos, uniformes e viagens.
Anos de ouro
Nos anos 40 foi montada uma gloriosa equipe, composta de verdadeiros craques a nível nacional. Com todo o gás, delegação itaunense viajou de avião até Piumhi/MG e derrotou o forte Atlético daquela cidade por 2 x1.

Delegação que viajou de avião até Piumhi-MG.
O autor dos dois gols do Esporte Itaúna, foi o atacante Afonso, que era considerado um dos maiores ‘matadores’ da época e depois jogou no Atlético Mineiro.
Enquanto existiu como clube de futebol, o Esporte Clube Itaúna não pôde contar com profissionais graduados na área de Educação Física, senão somente com o esforço dos então, verdadeiros profissionais existentes, que eram tão somente técnicos auxiliares, os quais mantiveram conhecimento multidisciplinar através de experiências práticas com o esporte.
Na virada da década de 40 para 50 o Esporte Itaúna recebeu a importante adesão do dirigente e técnico Miranda, que passou a residir em Itaúna a partir de 1947. Mais que técnico, Miranda foi um grande coordenador dentro do clube, articulando pessoas dentro e fora de campo para que tudo saísse dentro dos padrões programados.
Através de Miranda vieram também outros técnicos, atletas e até dirigentes de outras cidades que fizeram história no futebol de Itaúna. Entre eles, se encontrava o conhecido e já falecido Mário Preto, que foi trazido de Belo Horizonte por Miranda para treinar uma das divisões de base do Esporte.
Fixando residência em Itaúna e dono de grande carisma, Mário se tornou uma típica figura do Campo do Esporte, onde residia numa humilde casa na beira do rio, em local situado em frente a entrada do ginásio da Universidade de Itaúna, exatamente onde passa a avenida São João.

Equipe do ECI no final dos anos 40. O terceiro da esquerda para a direita de pé é Miranda, que mais tarde seria técnico e dirigente do clube.
Dentre os gratos destaques revelados pelo Esporte Clube Itaúna ao futebol nacional, sem dúvida, o goleiro Paulo Monteiro levou o nome de sua cidade nos mais altos patamares do futebol profissional brasileiro.
Monteiro foi goleiro do Esporte Clube Itaúna, Clube Atlético Mineiro, do Santos, ao lado de Pelé, dentre outras equipes brasileiras. No ano de 2005, Paulo Monteiro foi merecidamente homenageado em Itaúna pelo Clube Atlético Ponte de Itaúna.
Divisões de Base
Além de reunir sempre os melhores atletas da cidade que disputaram o campeonato mineiro profissional, o Esporte Clube Itaúna motivou também a criação de outras agremiações bairristas e legou valiosos craques ao futebol amador da cidade. Por muitas temporadas o clube disputou as divisões de base do futebol mineiro, obtendo considerável rendimento em campanhas disputadas em categorias infantil, juvenil e juniores.

Quando, a partir de meados dos anos 60 o Esporte Itaúna já tinha seu campo de treino, o “Campo do Esporte” (atual centro esportivo universitário da UI). O clube passou então a investir sistematicamente na formação das categorias de base. Com isso, todos os garotos que se destacam nos colégios Estadual e Santana (e depois Polivalente) sabiam que teriam lugar no Esporte Clube Itaúna e com isso, poderia vir a disputar o campeonato mineiro em uma das divisões de base.
O Esporte sempre montou equipes competitivas e cumpriu boas campanhas nos certames infantil, infanto-juvenil e juvenil que participou pela FMF na época. Graças ao trabalho desenvolvido no Esporte Itaúna, diversos atletas itaunenses puderam viajar a distintas cidades do interior mineiro, ter contato com clubes do futebol profissional além de adquirirem técnicas esportivas. Muitos de nossos atletas puderam, posteriormente, jogar em alguns dos maiores clubes de Minas Gerais e de várias cidades do Brasil. Nesta fase, o clube contava com apoio da Companhia Industrial Itaunense, sobretudo, dos irmãos beneméritos Srs. Zezé e Joãozinho Lima.
Entretanto, o Esporte Clube Itaúna viria sofrer sua mais forte queda, quando, em 20 de abril de 1972, o então prefeito municipal de Itaúna Sr. Jadir Marinho de Faria, autorizou a doação do terreno municipal onde situava-se o campo do Esporte (na chamada Vargem) à Fundação Universidade de Itaúna - local em que foi construído o centro esportivo universitário. O terreno com área aproximada de 83.750m² havia sido doado ao Esporte Clube Itaúna em 1955 e depois fora revertido ao patrimônio municipal.

Início dos anos 80: equipe comandada por Zé Faxineiro, em partida no Mineirão.
Na foto acima, além dos jogadores, figuram César Matos, Cassiano, Gomide e Jacó.
Apesar disso, naquelas anos 70, a Universidade de Itaúna ainda permitia a prática livre do futebol na área que então nem era cercada e abrigava mais três campos de futebol de várzea, ao lado do principal - incluindo o histórico "Vassourão". Diversas equipes amadoras utilizaram por longos anos destes campos para seus treinamentos.
Ainda contando com pequeno apoio da Universidade de Itaúna e de alguns diretores da Companhia Industrial Itaunense o Esporte de Itaúna continuou utilizando-se do campo da universidade e disputando as divisões de base do campeonato mineiro.
Decadência
Porém, após o ano de 1980, o Esporte Clube Itaúna, contraiu várias dívidas, sobretudo, por tentar formar uma equipe composta de jogadores em sua maioria, de fora. Além da contratação do ex-técnico infantil do Atlético Mineiro, Joy e preparadores físicos de Belo Horizonte, a equipe itaunense trouxe também vários jogadores de outras cidades mineiras, como Lagoa da Prata e Divinópolis. Ao negar os talentos de Itaúna e convocar pessoas de fora para integrarem o grupo, os custos de viagens, estadia e alimentação foram exorbitantes. Ficaram bem acima do que arrecadava o clube com parcas doações. Estas medidas acabaram por levar o clube à falência. Devido a isso, não pôde mais competir nas categorias, infantil, júnior e juvenil, como havia fazendo de forma já tradicional naqueles últimos anos.
A última participação do Esporte Clube Itaúna no campeonato mineiro se deu no ano de 1980, através da categoria infantil, na época chamada de "Dente de Leite". O comando técnico esteve a cargo de Zé Faxineiro. Alguns dos atletas formados nesta última geração do Esporte Clube Itaúna chegaram a integrar clubes profissionais nos Estados de Minas, Rio, São Paulo e outros.

Os goleiros José Humberto (Beto) e Alexandre (Xandoca) e o técnico Zé Faxineiro.
Na fase em que podemos chamar de "o apagar das luzes acesas em 1914", devemos destacar que, uma pessoa ainda tentou levar adiante a divisão infantil do Esporte Itaúna. Trata-se do técnico já falecido Vilmar Visgüêta, que já havia treinado diversos times infantis na cidade. Em 1981, ele obteve autorização da Universidade de Itaúna para utilizar os campos externos e o material que restou do Esporte Itaúna e assim, continuar treinando as crianças. E o fez por cerca de 2 anos, passando posteriormente a custear as bolas e materiais do próprio bolso.
O time treinado por Visgüêta e ainda chamado por ele de Esporte Clube Itaúna não chegou a disputar o campeonato mineiro e foi dissolvido pouco tempo depois.
Ponte de Itaúna
Por sua vez, o Clube Atlético Ponte de Itaúna surgiria em meados dos anos 90, nascendo da amizade sincera de alguns praticantes da chamada “peladinha de fim de semana”. O grupo jogava sempre aos domingos pela manhã e após as partidas se reunia no Bar do Kenderson, na rua Santana (bairro das Graças, Itaúna), para tomar aquela cerveja e conversar sobre os assuntos mais polêmicos da semana.

Edival Antunes, atual secretário do ECI e co-fundador do CAPI anunciou a fusão.
Num certo dia, entre cervejas e um bom papo de bar, um dos amigos perguntou: por que não se fundar um time para disputar os campeonatos da cidade? Imediatamente o José Hailton disse: ”se vocês conseguirem 50% do uniforme, o resto eu dou!”. No mesmo instante o Fabrício disse: “Pode deixar a sua metade que o resto eu consigo!”. Realmente conseguiu, fazendo uma rifa de uma caixa de cerveja. No domingo seguinte, já com o uniforme garantido, o José Hailton e o Edval sugeriram e foi de pronto aprovado o nome CLUBE ATLÉTICO PONTE DE ITAÚNA.
A primeira partida da equipe foi realizada no dia 24/06/1995, dia de São João, comemorado como Dia da Fundação do Clube Atlético da Ponte. O adversário foi uma seleção do SAAE de Itaúna. O Atlético da Ponte venceu por 7 X 2. Em 1996 a equipe participou do campeonato da 2ª divisão da LIF e ficou em 6º lugar.
Quando de sua fundação a diretoria ficou assim composta:
Presidente: Edval Antunes;
Vice-Presidente: Silas Bernardes;
Secretário: Fausto Júnior;
Tesoureiro: Celso Gonçalves.
Diretores: Fabrício, Calmo Jorge César, Cássio Próton e Armando Marques Júnior.
Em dezembro de 1998, por idéia do jogador Neném, os amigos se uniram para estudarem a possibilidade de voltar a disputar o campeonato itaunense. Por aclamação elegeram o José Hailton Antunes Mendes como presidente e o desportista viabilizou o projeto de reestruturação do grupo, colocando a equipe na 1ª divisão do Campeonato de Itaúna.
Inicialmente traçaram-se planos de ser pelo menos 4º colado nas categorias juniores e adultos. A equipe de juniores superou a expectativa, sendo vice-campeã, numa disputa acirrada com o Real Madrid, que venceu a primeira partida por 1X0. Nos outros jogos da final, dois empates, 1X1 e 0X0.
A equipe adulta esteve disputando o play off da final pelo campeonato municipal de Itaúna, contra o Vila Nova do bairro Irmãos Auler. No primeiro jogo a equipe faturou o adversário por 2 a 1, com gols de Jardel e Sídney, contra um de To, da equipe adversária.
Em 2005 e 2006 o Ponte participou de importantes competições estaduais na categoria juniores, entre elas, a Taça BH de Juniores e a Copa Itatiaia e Diário da Tarde, detendo elevado rendimento nessas competições.
Fusão Ponte/Esporte Clube Itaúna
Para o Esporte Clube Itaúna, o destino marcaria o dia 23/11/2006 no calendário do esporte itaunense, como o dia de sua ressurreição. Nessa data foi realizada uma reunião extraordinária da diretoria do Clube Atlético Ponte de Itaúna (CAPI), onde foi votada a mudança da nomenclatura dessa agremiação para Esporte Clube Itaúna (ECI), criando uma fusão histórica das duas agremiações. A histórica reunião aconteceu no Restaurante Flamingos, no Tropical Tênis Clube, em Itaúna-MG, reunindo diversos amantes do futebol.

Reunião que formalizou a fusão CAPI/ECI.
É fato que o Esporte Clube Itaúna foi a agremiação itaunense mais tradicional na história do esporte local, sobretudo, no futebol. Por longas décadas do século passado o ECI esteve levando o nome da cidade de Itaúna a diversos certames mineiros e nacionais. No início dos anos 80 a agremiação entrou em inatividade e agora renasce na cidade.
Espera-se que através da fusão de uma entidade histórica com uma atual, possa surgir uma proposta moderna para a profissionalização do futebol local que, inclusive, já exporta diversos dos jogadores formados em Itaúna para cidades de todo o mundo. O evento promovido pela diretoria do agora ECI que oficializou a fusão das agremiações reuniu cerca de 100 convidados, entre eles: dirigentes esportivos, empresários, imprensa, atletas, ex-atletas, técnicos, profissionais da educação física, pais e familiares de atletas e diretores, simpatizantes do futebol.

Cachorrão: mascote do ECI.
Uma das presenças marcantes que integrou a mesa diretora foi o desportista belorizontino José Maria Miranda, que durante mais de duas décadas dedicou-se quase que integralmente a direção técnica do ECI. Outras presenças marcantes foram no meio esportivo estiveram presentes, Zé Carlos, atual técnico do ECI, ex-jogador do Cruzeiro-BH e da seleção brasileira; Márcio Martins, preparador físico; Silmar Marinho, empresário e político; Wandeir, empresário; Cristóvão Fernandes e Carlinhos de Brito, radialistas da Rádio Clube de Itaúna; Nascimento Silva e Wallace, da equipe TV Cidade; Carlos Bernardes, secretário municipal de Educação e os desportistas, atletas e ex-atletas José Maria de Aquino (Bigode), Tondé, Waldir, Édson, Roner, Rosse, Regal, Henrique, Hélcio Chinês, Jardel, Adélcio, Dr. Denílson, José Maria, Marco Antônio, entre outros.
Atual diretoria do Esporte Clube Itaúna
Presidente: José Hailton Antunes Mendes; vice-presidente: Eustáquio Antunes Pinto; Primeiro secretário: Edval Geraldo Antunes; segundo secretário: Fabrício Fernando Rodrigues; Primeiro Tesoureiro: Gabriel Corradi Machado de Souza; segundo tesoureiro: Jorge César Neves Nascimento; Conselho Fiscal: titular: Naron Francis de Miranda, Geraldo Celestino de Araújo e Dirceu Marques da Silva; suplentes: Delmo Ribeiro de Santana e Valdir Fonseca; Diretor de Futebol: Clauto Nogueira Araújo, Diretor Financeiro: Bethoven de Oliveira Bussati, Diretor de Patrimônio: Calmo Rodrigues, Diretor de Publicidade: Vandeir Pascoal de Lima; Diretor Administrativo: Kleber Gonçalves Moreira; Diretor de especializado: José Maria de Aquino; Diretor das categorias de Base: Evandro Gonçalves. Faria. Conselho Deliberativo: Armando Marques Júnior, Marcelo Antonio Rabelo Silveira, Cássio Ribeiro Proton, Fábio Resende Rodrigues, Mércio Pereira Damasceno, Morel Mendonça Meireles, Amauri José Moreira, Marco Antônio Barroso e João Augusto da Fonseca. Mantendo-se como presidente do conselho o Sr. Armando Marques Júnior e vice-presidente o Sr. Marcelo Antônio Rabelo Silveira.
* Pepe Chaves é editor do jornal Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br).
- Com informações fornecidas pelo Sr. Miranda e da obra de João Dornas Filho.
- Fotos:
Arquivo pessoal de Miranda.
Antônio Gomes Fotógrafo.
Arquivo Via Fanzine.
Arquivo ECI.
- Foto do primeiro time de futebol de Itaúna: da Obra de João Dornas Filho.
- Produção: Pepe Chaves. |